26 - Indonesia (parte 2) (No English Version)
Não vale a trapaça, bem sei. E quem morre às vesperas é peru de natal. Mas, apesar de ser a Austrália meu pouso final, foi a Indonésia, com despedidas e tempo para pensar, a dona do provável significado de...
O princípio do fim.
“E que no final eu tenha visto, a sons fiéis e excitantes, a destreza e persistência de 6 rapazes que, do antes incerto e pretencioso, ousaram o digno cidadanismo mundial. Que tenha desenhado proezas, parasianiado histórias e distorcido lembranças. Com - nas entre ou sublinhas - um condensar, contradito, fidedigno de sorrisos, vitórias, medos e lágrimas. A honra do narrador presente e vivente cuja emoção extrapola o coração. Até o limite onde palavras se tornam, sim, apenas palavras. E que tenha percorrido - com todas as peripércias, aventuras, grandezas e pequenices e o orgulho do criador imerso na cria - do princípio ao fim, todos os caminhos - fossem eles mais ou menos trilhados, com o cair e o levantar; experimentando e vivendo - desse mundo velho sem porteira. Ver para crer? Não, para, quem sabe, entender. Aos que perguntarem: quem eram eles? Já tenho meu dito: Atromelados, para o mundo. Amigos para a vida.”
Descrições, experiências, histórias. Graça, intriga ou novidade. Tantos pois ingredientes de quaisquer contos. E no desgarrar pelo mundo assim o foi. Capítulos determinados, causos narrados, realidade poetizada ou qualquer rótulo que do desejo for. Excedendo ou podando expectativas, atiçando ou corrompendo o prazer da leitura e fidelizando ou pseudo-criando o contar dentro do próprio relato. Afinal, existem sempre duas versões de um fato: a apresentada e a real. :)
"Do adeus ao ano velho, veio, de novo, a Indonésia. Os marinheiros de várias viagens , dessa vez, com o (dis)sabor da festa prestes a acabar. Sem muitos planos, sem tantas vontades. Para uns, a cabeça já na terra natal, para outros em algum lugar entre 2006 e 2008 ou simplesmente no agora. "
Principia. A prima dona do que viria a se tornar o conjunto da (des)obra? Se não me falha, deu-se em belas terras brasilis com pitadas de puros sonhos. Sementes de desejos e esperança totalmente infundadas ainda no meio do processo de perda umbilical com a então realidade. Sobre o que falei então? Nem sei...
"Ainda incomodado pela costela trincada (suposição minha já que nenhum médico fora consultado), tive que adaptar, a princípio, os planos para um mês inteiro aqui. Ajudado pelo meu pai, resolvi aproveitar a oportunidade e continuar a saga de mergulhos. Mas eis que o destino sorriu, a saúde melhorou e, além de mergulhar, consegui retornar a rotina de surfe, exercício e vida saudável. Boas vindas ao, bleh!, mergulhador certificado em naufrágios, ehehehe."
Mas, da importância: houve um começo. E, hoje, talvez, das maiores e piores verdades do viver, finito também mostra que o será. É tudo, seguindo a mestre vida, um ciclo entre o marco inicial e a linha – sorridente ou cadavérica – de chegada? Creio: sim. O processo de valia mora, e é gerado, exatamente na ausência intrínseca do perpetuar. Trata-se do tempero secreto onde há toda a magia e beleza do único: o seu, de direito, final. Que seria, pois, do brilho de um extraordinário que esquece o acabar? Sim, falhou, ordinário. O perdurar? Claro, necessário. Quanto? O suficiente para o não esquecimento de um anterior, distinto e que houve, e do posterior que há de.
"Do dia-dia pouco a se falar. Alugamos um carro pela bagatela de dois dólares e meio por pessoa e descanso, planos para a volta, surfe, refeições e filmes com um ou outro passeio pela ilha para variar. O restaurante brasileiro com seu ”comercial” continua fenomenal. Ah! Ganhamos a companhia de duas austríacas, Lisa e Carol, em algumas andanças por aqui dessa vez. O como, eu deixo para quem compete dizer :)"
E dos atromeláticos? Galáticos, simpáticos, tri-áticos e saudáticos? Cometemos o erro crasso: um piscar de olhares. Não é, pois, esse o sinal que permite, do início, o fim? Bobagens à parte, é chegado o momento. Que, do sempre distante passa, piscar, ao agora. A nossa jornada, outrora recém nascida, torna-se finalmente, do fazer e todas as suas regalias, o ficar na história. Um, metáfora ou não, presente ao passado.
"E, de mero coadjuvante inter-andanças, o aeroporto tomou para si o primeiro significado de adeus. 14 de Janeiro, Matheus e Pedro. Depois, Marcelo. Um para casa, outros ainda não. Mas, todos embora. O próximo reencontrar somente na boa e velha terra natal. A ficha ainda não caiu."
Saímos, talvez, assim: parceiros da juventude com um sonho em comum. Frescos em idéias e ideais. O tutano da vida em seu fervor. E já donos de si. Não da prepotência, e sim da – em construção? - consciência. Que importa? Veio o mundo e mostrou - do que da procura nossa se deu - sem conservadorismos, mascaras ou pudor um jorro de sentimentos, ouso, para dar e vender. E vivemos. Ah se vivemos! Desde a mais pitoresca das situações até o mais real dos gostos de rotina e lar. Do Tudo e do nada. Em um só. Pormenores? Vários capítulos, afinal!
"Resolvemos passar 1 semana novamente em Lombok. Marcelo ainda estava aqui. E, de repente, o surfe evoluiu. Dropei ondas, ganhei confiança e tudo começou a fazer mais sentido. O começo de um esporte para lá de bom. Quanto àquela semana? Exato como da vez anterior: calmaria, rusticismo, bate-papos, piscina e mar. Mesmo hotel, mesmos picos. Com a diferença na falta de 3 pessoas que já não mais estavam conosco..."
Do cansaço louvado ao amaldiçoado; do lavouro escravo a liberdade total; do adeus desejado ao lacrimejado ou do turismo dinâmico ao mais puro ócio; dos amores possíveis aos erros do acaso; das brigas e calmarias; (...); e do passar do tempo que, aos poucos, esqueceu-se de esquecer.
"Já me considero um local, ehehehe. Já somos reconhecidos por vendedores na rua; de carro, dirigimos por toda a ilha de Bali e fomos para Lombok por contra própria. Sabemos de barganhas, golpes e etc. Quase cidadão indonesiano!"
Tudo destrinchado em capítulos de diferentes livros por cada um escritos. O todo de tudo. Cada à sua maneira. Fantasiando, de mundo, o mundo. Continentes, países, bairros, culturas e pessoas nomeados. Roteiros e planos descritos. Acertos e erros apontados. Com o toque especial do individual. Um acervo tão rico, quanto raro. Viajar dentro da própria viagem.
"Tanto pertencimento local que nos demos ao luxo de fugir da polícia. Sim, isso mesmo! Foragidos da lei!!! Sinalizaram de uma cabine para a nossa parada e eu, no volante, recebi as instruções: não para senão eles vão achar motivo para pedir propina. Prontamente, acelerei. Cortando um pouco o clima fora-da-lei, admito, sabíamos que os policiais não podem realizar perseguições aqui. Lei. Sabe-se lá por que!"
E, breve, volta(re)mos.
A mim? Retorno nostálgico. Um por um, como orquestra que, músico por músico, com diferentes acordes finais, põe fim a um longo e belo concerto. No tempo correto da regência da vida. Já saudosos do que nos é querido e orgulhosos do que, nosso, fora conquistado. Mais tempo? Talvez. Maior proveito? Talvez. Sensação – minha - é, verdade, do completo que é ciente de sua amplitude. Como tinha de ser.
"Conseguimos o visto Australiano em Bali e foi essa, oficialmente, a última manobra que a viagem exigiu. É simples continuar aproveitando até o acabar."
E dos atromeláticos? Crescidos, amadurecidos, endurecidos ou involuidos? Só ele vai dizer. Arrisco os mesmos jovens fugidos, sim. Que precisavam deixar os assentos de expectadores e tomar para si parte da peça. Muito mais do que o conhecimento, a vivência. Desejo de muitos, alcance de poucos. Sentir o aroma, enxergar cores, percorrer os caminhos e se deliciar, em cinco sentidos, com passado, presente e a imensidão de possibilidades e realidades concluídas ao vivo, em detrimento, exemplo, de um livro.
"O surfe evoluiu muito, ainda bem! Mas nem só de flores... e após dias de calmaria, uma ondulação razoável deu o ar da graça em Serangan. E, tal dia, tomei o pior caldo de todos os tempos. Imediatamente sai do mar, não deu, ehehehe."
E a vida há de seguir seu rumo. Implacável e indiferente aos grandes feitos viajandísticos. Nem deveria. Tal papel é nosso, não dela. Isto dito, e quanto ao depois? Por agora, depois! Afinal, a mesma também é sábia e soberba. Complicado entender e aceitar. De todas, A história. E nela, de cada fim, há sempre um novo início. Incerto e aberto. Um livro sendo escrito. Com princípio, meio e fim.
A todos que fizeram parte: valeu!!!
"Esse post vai para o Rapa. Feliz aniversário moleque!!!!!!!!! 23 anos de idade na cara! Fotos no post seguinte!"
“ Fui dar a volta no mundo, eu fui. Fui ver o mundo girar (...)”
Ivan Maciel Ribeiro.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home